Coberturas
São muitos os que sonham em morar numa cobertura. Daquelas com vista para a paisagem do Rio e um terraço que permita uma série de atividades impensáveis no confinamento de um apartamento padrão. 
Mas este bem de consumo é exclusivo para poucos e cada vez se torna mais raro na cidade. É que as coberturas estão sendo construídas quase que estritamente em prédios de luxo.
- Quanto mais sofisticado for o empreendimento, a cobertura tem mais sentido de ser construída. É difícil vender área livre. Em geral, o público de maior poder aquisitivo tem mais necessidade desses espaços - diz Rodrigo Conde Caldas, vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresa do Mercado Imobiliário (Ademi).
Nas classes menos privilegiadas é mais difícil encontrar quem queira pagar por uma área livre, sem função específica. Nos atuais empreendimentos voltados para a classe média, a tendência é oferecer uma estrutura de lazer na coberta para todo o condomínio do que favorecer apenas um ou dois consumidores. Principalmente em prédios que não têm muito terreno.
- O mercado tem mais dificuldades para vender cobertura para a classe média, principalmente em empreendimentos com áreas de lazer mais modestas. É preferível utilizar o lazer compartilhado do que investir em cobertura para o uso individual. É mais vantajoso investir na construção de espaços comuns e assim dar mais liquidez a todos os apartamentos - explica Rodrigo.
As coberturas têm mais valor quando se encontram em empreendimentos na Zona Sul, Barra na Tijuca e em áreas de maior destaque da Freguesia, Jacarepaguá e Tijuca. E mesmo assim, a facilidade de venda não é igual em todos os lugares, como mostra o vice-presidente da Ademi.
- A partir da Avenida das Américas para dentro começa a haver um pouco mais de resistência às coberturas. Na Península e na Laguna, tem-se uma liquidez melhor, reforçada com a vista para o mar - esclarece Rodrigo.
Segundo o vice-presidente da Ademi, no Rio é possível encontrar uma cobertura de R$ 15 milhões na Av. Vieira Souto, ou de R$ 130 mil, com dois quartos, em Jacarepaguá. A diferença de preço de metro quadrado é de mais de 500% de acordo com a localização. O diretor de incorporação da RJZ/Cyrela Alexandre Calazans faz coro com o colega.
- Na Delfim Moreira, o preço do metro quadrado chega a R$ 25 mil. A Barra tem cobertura de 800 m² com o metro quadrado entre R$ 16 mil e R$ 17 mil. Mas encontra-se também coberturas de 80m² com menos de R$ 3 mil o metro quadrado - afirma Alexandre Calazans.
O preço de uma cobertura, todo mundo sabe que é mais caro do que um apartamento padrão. O direito ao uso de laje superior já equivale um acréscimo de pelo menos 10% a mais do valor do preço médio de um apartamento no edifício. A parte descoberta, com piscina e deck, aumenta o custo do imóvel em 50%. Além disso, quando a cobertura é entregue sem nada, mas com área física que permita a construção de uma churrasqueira ou de uma bancada, há um acréscimo no valor total de aproximadamente 30%.
- No apartamento de cobertura pode-se considerar o valor de metro quadrado da média dos apartamentos acrescido de 10%. Agregado a este valor tem-se ainda a área livre do terraço cujo metro quadrado equivale a cerca de 50% do valor do metro quadrado de um apartamento situado no andar médio. Para exemplificar, se num empreendimento, um apartamento de 200 m² tem como preço médio do metro quadrado R$5 mil, na cobertura seria R$5,5 mil. Tem-se ainda que considerar o acréscimo do terraço, cujo valor equivaleria ao produto da área multiplicada por R$ 2,5 mil, explica Rodrigo.


